sábado 14.12.2019
Grupo de flavienses desfrutou de saudável jantar convívio na Casa de Samaiões

Meia centena de antigos alunos do Liceu recordaram no XXVIII encontro da Associação alguns dos melhores momentos

Uma das actividades principais desta jornada de confraternização foi a tertúlia organizada no interior do Liceu. Nela participaram como oradores alguns ilustres antigos alunos, José Carlos Barros e Luís Manuel Guerra, com moderação de Jorge Lourenço Melo. Todos recordaram as suas vivências reconhecendo a importância desta instituição académica na sociedade flaviense, à qual desejam muitos mais anos de vida.
Depois da tertúlia, os participantes deslocaram-se até à Casa de Samaiões. Foto do ambiente no aperitivo antes do jantar. | FOTO: HELENA LOBO.
Depois da tertúlia, os participantes deslocaram-se até à Casa de Samaiões. Foto do ambiente no aperitivo antes do jantar. | FOTO: HELENA LOBO.

Pelas 15h do dia 14, os Antigos Alunos do Liceu ocuparam a entrada do edifício num dia quente de Setembro transmontano, tão saudosos das árvores do Jardim da Freiras como dos antigos colegas. Em grupos percorrem os corredores do Liceu, espreitando pelas janelas do claustro o centro hoje ajardinado com árvores que marcam a passagem do tempo, rumo ao ginásio. Ouvem-se comentários de festas e teatros realizados no palco deste ginásio construído para servir aulas de ginástica e acolher eventos académicos.

Jorge Humberto, presidente da Associação dos Antigos Alunos do Liceu Fernão de Magalhães abre a tertúlia referindo os 76 anos que o Liceu já conta neste edifício na Praça General Silveira e os 116 anos desde a sua fundação. Passa a palavra a Jorge Lourenço Melo, antigo aluno e ex-director do BBVA. Jorge Lourenço Melo faz uma nota introdutória sobre os oradores, também eles antigos alunos do Liceu, mas com percursos de vida diferentes. São eles José Carlos Barros e Luís Manuel Guerra. O primeiro natural de Boticas, frequentou o Liceu entre 1978 e 1981, formou-se em Arquitectura Paisagística na Universidade de Évora e actualmente é deputado na Assembleia da República desde 2015, eleito pelo Algarve - independente pelo Grupo Parlamentar PSD. Autor de mais uma dezena de livros, dos quais dois romances: “O Prazer do Tédio” de 2009 e “Um amigo para o Inverno” de 2014, é também artista, poeta, pintor e apreciador da ruralidade e de gentes simples.

tertulia2A assistência atenta aos relatos o painel de oradores. | FOTO: PEPE NÚÑEZ. 

José Carlos Barros presenteia a plateia com uma história ocorrida próximo da sua aldeia em Boticas, em tempos já idos da ditadura portuguesa. A história de um filho que ao receber a confissão de um homicídio executado por seu pai, por razões rurais que se prendiam com direitos de águas, toma o lugar deste. Sem hesitação, apressa-se ao posto da guarda entregando-se no lugar de seu pai, homem já de certa idade e saúde fraca. Esta história provoca-nos uma dualidade de sentimentos, se por um lado é notória a nobreza transmontana na protecção dos que são próximos, por outro faz-nos pensar sobre a noção de justiça que cada um terá.  

Luís Manuel Xavier Guerra é, senão mesmo, o inconfundível Mané Guerra. Antigo aluno do Liceu entre 1973 e 1976, Mané Guerra concluiu o curso profissional de Mecanotécnia na escola Marquês de Pombal em Lisboa. Nessa mesma altura passou também pelo Conservatório Nacional de Teatro, mas decidiu não levar adiante a carreira cénica. Dedicou 10 anos ao ensino técnico profissional entre 1981 e 1991. Fundou a firma Autenticar à qual ainda se dedica com enorme empenho, mesmo depois do interregno entre 2008 e 2016 em que esteve como responsável pela área de Logística e Metalomecânica numa empresa em Angola. Um homem repleto de histórias, sejam elas familiares ou mesmo das gentes de Chaves, foi assim que Mané Guerra contribuiu nesta tertúlia. Deixou um desafio sobre uma história de um antigo aluno que ficou na memória pela sua capacidade exímia de acrescentar um “s” a cada palavra, dando-lhe uma peculiar maneira de falar. Sobre esta história que Mané ouvia contar em casa e que se lembra de ter lido em tempos num livro de memórias de Chaves, perdeu o rasto ao nome da personagem principal e ao livro onde tal história estará relatada. Pelo que deixou o apelo e desafio aos participantes de encontrar o registo da história do aluno que tomou para si um “dialecto” no mínimo avant-garde para a época.

A plateia composta por antigos alunos -os anos de 1943 a 1987- esteve participativa e atenta às intervenções do painel de oradores, acrescentando alguns dizeres de professores, como o do professor de biologia que dizia “o peixe deve ser comido de joelhos” ou do professor que ao ver trabalhos tão bem feitos por um aluno menos bom, não se continha a partilhar “este moço, de vez em quando, é verdadeiramente surpreendente”. Pois lá seria, quando copiava pelos colegas!

Encerrou-se esta tertúlia com a colocação da fita alusiva ao XXVIII encontro, depois da entrega dos prémios de mérito a dois alunos do Liceu dos dois últimos anos lectivos, marcando-se as horas para a saída em direcção ao Hotel Rural Casa de Samaiões.

Abriu-se espumante e brindou-se a anos vindouros com a esperança de que as gerações mais novas perpetuem estes encontros em honra do Liceu que os formou e mesmo em honra destes antigos alunos que de forma estóica ainda mantêm esta tradição

Passando a imponente entrada da Casa de Samaiões, na sala de jantar já o buffet esperava os comensais. Organizam-se os lugares à mesa, talvez muitos seguindo antigos lugares de carteira e a conversa fluiu sem receio de “reprovações”. Já no final do jantar o grupo de mais de meia centena de antigos alunos canta os parabéns ao Liceu de Chaves e à associação. Abriu-se espumante e brindou-se a anos vindouros com a esperança de que as gerações mais novas perpetuem estes encontros em honra do Liceu que os formou e mesmo em honra destes antigos alunos que de forma estóica ainda mantêm esta tradição.

lobo2Para a sobremesa não poderia faltar, o já habitual, bolo comemorativo decorado com a insígnia da Associação. | FOTO: HELENA LOBO.

O dia seguinte foi reservado para assistir à missa na Igreja da Misericórdia seguindo depois para a churrasqueira Dom Pinto que abriu especialmente para o almoço de despedida e encerramento das comemorações. Pela mão de D. Luísa, proprietária e cozinheira, desfilaram milhos com o excelente e único fumeiro de Chaves, rojões acompanhados de chícharros e uma cabidela de frango caseiro que conquistou cada um dos participantes. As despedidas, que são sempre duras e amargas desta vez foram adoçadas pelas sobremesas e pelas uvas colhidas, no momento, na latada que cobre o terraço onde foi servido este almoço.

Pela mão de D. Luísa, proprietária e cozinheira, desfilaram milhos com o excelente e único fumeiro de Chaves, rojões acompanhados de chícharros e uma cabidela de frango caseiro que conquistou cada um dos participantes

Neste encontro notou-se a ausência do edil de Chaves ou representante do Município de Chaves, não por falta de convite, como referiu Jorge Humberto na abertura da sessão, mas por razões que se desconhecem.

Meia centena de antigos alunos do Liceu recordaram no XXVIII encontro da Associação...
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